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Mostrando postagens de Abril, 2016

Uma estrangeira numa terra estranha perdida no meio do mar.

Andava a vagar, de porto em porto, buscando um lar, ou qualquer coisa que pudesse lhe dar a sensação de estar de novo em casa, ou quem sabe ser a própria casa. Vagava feito cachorro de rua, que cheira todos os postes mas não para em nenhum. Sentia que a sua casa poderia ser qualquer um, mas ao se aproximar descobria que estava longe de ser. Sentia carência, mas não se entregava. Sentia saudade, mas não ligava. Sentia amor, mas nunca demonstrava. A aparência enganava, e muitas vezes foi taxada de ter no peito um coração frio e gelado. Até poderia estar, mas nem sempre foi assim. Era mais medo de se machucar de novo do que qualquer outra coisa. E com tanta interpretação errada, parou de argumentar. Aceitou e fim. Talvez não fosse a hora. Talvez não estivesse pronta ainda. Quem sabe se um dia estaria? Não sei. Só sei que quando ela olha pro céu os olhos dela voltam a brilhar como antes. Antes de toda a dor, sabe? Quando ela olha pro céu ela sabe que existe um porto para ela se acomodar,…

O amor é a alma do negócio.

Não existem contratos. Nada, além do amor, pode unir as pessoas. O resto é distração. Deixa-se de amar os outros por eles não serem do jeito que gostaríamos que fossem, mas eles são obrigados? Existe alguma cláusula, lei ou contrato que diz isso? Queremos ser amados, mas  esquecemos de amar. É como querer ser sarado e não malhar, ou como querer que a fome passe sem comer. A lógica é justamente o oposto. É preciso amar antes. É preciso amar os outros, a ponto de deixá-los livres para serem eles mesmos. Se você ama alguém com qualquer tipo de "mas" ou qualquer outra restrição, sinto informar que já deixou de ser amor faz tempo, se é que um dia já foi. O que deve ser entendido é que amamos o outro, não por estarmos acostumados a ele, mas por estarmos acostumados com o amor. É a necessidade mais profunda, a busca da vida toda. É a essência que move o mundo. Buscamos o amor desde que nascemos. Primeiro nos pais, depois na escola, nos amigos, no sexo oposto, na profissão, no anda…

Passou

Antigos padrões, coisas que faço e falo sem perceber. Dificuldade de deixar alguém se aproximar. Casca impenetrável. Aos poucos tudo vai mudando, e o que um dia eu fui já nem me lembro mais. Detalhes de uma vida perdidos para sempre nas arestas da minha memória cansada de lembrar. Uma proteção absurda para fugir de algo que nem sei se machuca. A doçura misturada à estupidez, tão familiar e ao mesmo tempo tão repulsivo. Quero e depois não quero mais, atraio com a mesma força que repilo. Te testo, te uso, te jogo fora, te esqueço. Depois te lembro e te busco, rezando para você não ter mudado de ideia, rezando para eu não mudar de ideia de novo. Mas eu mudo, e eu fujo. Saio correndo e te encontro virando a esquina. Você sempre tão doce, eu sempre tão ogra, e de alguma maneira estranha formamos um belo par. Que dupla, que fôlego. Amanhã tem mais, e talvez na próxima semana também. Por mim tanto faz, o inverno está aí e talvez já esteja mesmo na hora de dar adeus ao que passou. Passou!